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Unidade 2
Objetivo de aprendizagem:
Apresentar o Acolhimento como caminho para mudanças e para o acesso à saúde.
2.1. O que significa “acolher”?
Tendo como base o que você estudou na primeira unidade de aprendizagem, passaremos agora a estudar algumas estratégias para organização de um processo de trabalho acolhedor.
O trabalho em Atenção Básica à Saúde (ABS) e na Estratégia Saúde da Família (ESF) é complexo e exige para sua construção uma articulação entre bases teóricas (conhecimento), metodológicas (métodos e técnicas) e bases éticas. Para iniciar o trabalho deve-se partir do conhecimento do território no qual se está inserido e das famílias e sujeitos sob responsabilidade da equipe.
Para iniciar nossa discussão sobre o desafio que é fazer acolhimento e a compreensão da importância do termo acolher, citamos alguns significados trazidos pelo dicionário Aurélio: dar acolhida ou agasalho a, receber alguém, atender, aceitar, acolher com agrado as sugestões, dar crédito a, dar ouvidos a, amparar-se etc.
Estamos em um momento da história no qual é exigido que pensemos e façamos melhor do que já foi feito. Não há mais como aceitar unidade de saúde em que a única oferta seja a consulta médica. Precisamos nos desafiar e nos incomodar com a falta de respeito a princípios básicos no cotidiano dos serviços de saúde e buscar mudança da realidade assistencial que está dada. E precisamos também ajudar a construir serviços em que todos os profissionais tenham a mesma importância e possam dar sua contribuição para satisfazer as necessidades de saúde da população. Essa reorientação dos serviços para a produção de cuidado digno vai exigir que você se exponha enquanto profissional, que todos discutam juntos e façam um diagnóstico das potencialidades e fragilidades, partindo da territorialização, que permite o conhecimento comunitário dos problemas e necessidades da população adscrita por meio do mapeamento da área sob responsabilidade de sua equipe.
Para conhecer uma experiência bem sucedida de Acolhimento, sugerimos a leitura do Livro “Acolher Chapecó: uma experiência de mudança do modelo assistencial, com base no processo de trabalho”. Nele você encontra todo o relato das mudanças na Atenção Básica de Chapecó a partir da inserção contextualizada do acolhimento. Dê atenção especial às páginas 70 a 110.
Em “Acolher Chapecó” percebemos que, para alcançarmos à mudança que queremos no modelo assistencial, o acolhimento satisfatório, a responsabilização da equipe de saúde, a resolutividade e a autonomização são eixos estruturantes, capazes de orientar a prática clínica e promover o estabelecimento de vínculos e responsabilizações entre equipe e usuários, tornando as relações mais próximas e humanizadas, o que qualifica a assistência e o “ato cuidador” (FRANCO et al, 2004).
De acordo com o modelo proposto pelo Ministério da Saúde, a implantação do Acolhimento na unidade contempla a importância de uma escuta qualificada para atender aos princípios do SUS no contato com os usuários, já que, com a escuta, propor uma solução com segurança é possível, por meio de respostas positivas às necessidades apresentadas. A preocupação deve ser para não burocratizar o acolhimento e o fluxo do usuário na unidade, mas sim, ampliar a resolutividade e a capacidade de cuidado da equipe. O acolhimento deve facilitar o acesso dos cidadãos, ultrapassando os obstáculos para que o usuário alcance a resolução de seu problema, devendo estar presente em todas as relações equipes-usuários.
É importante destacar que acolhimento é uma prática presente em todas as relações de cuidado, nos encontros reais entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar as pessoas, podendo acontecer de formas variadas (“há acolhimentos e acolhimentos”). Em outras palavras, ele não é, a priori, algo bom ou ruim, mas sim uma prática constitutiva das relações de cuidado. Sendo assim, em vez (ou além) de perguntar se, em determinado serviço, há ou não acolhimento, talvez seja mais apropriado analisar como ele se dá. O acolhimento se revela menos no discurso sobre ele do que nas práticas concretas (BRASIL, 2011, p. 19).
O acolhimento não é uma etapa do trabalho ou uma sala de atendimento e requer trabalho em equipe e observação integral do usuário de forma a melhorar a assistência. E é com essa proposta que convidamos você a seguir conosco sua aprendizagem e suas descobertas sobre a implementação do acolhimento como fundamento e diretriz que norteia a prática de cada profissional de saúde, e como parte do processo de trabalho nas UBS.
Para lhe dar apoio à discussão sobre qualificar a escuta do seu usuário neste primeiro contato com os profissionais de saúde, recomendamos, inicialmente, a leitura das páginas 19 (a partir do item 2.1) a 22 do Caderno de Atenção Básica número 28 - Acolhimento, Vol. I, disponível no link: http://migre.me/j4hfc. Esta leitura apresenta os caminhos para o trabalho acolhedor das equipes de saúde na Atenção Básica.