A discussão a seguir está baseada na apresentação e critica proferida por Paul Singer acerca da FIB, a qual converge com a discussão dos determinantes sociais de saúde (BUSS, 2007 ) por ocasião da Conferência de Abertura do ENRAPS. Esta breve explanação não tem a pretensão de apresentar as minucias que envolvem a FIB. Apresenta-se, tão somente, uma contextualização mínima que permita situar os nove domínios referenciais para organização desse material que visa orientar o cuidado por uma organização que considere o sujeito em sua complexidade de modo indissociável à dinâmica social e territorial.

A FIB tem sua denominação e abreviação por analogia e oposição ao PIB (Produto Interno Bruto). O PIB, grosso modo, é o registro fiscal de todas as transações de compra e venda de mercadorias de bens e de serviços em qualquer lugar. O PIB representa tudo aquilo que foi produzido e vendido durante o ano. Não é indicador de felicidade humana e oculta enormes desigualdades do mundo.

A dinâmica social hegemônica tem como base a competição, que alimenta o individualismo, estando estreitamente ligada à estratificação da sociedade, que é promotora das desigualdades sociais tão conhecidas no mundo globalizado. Tal lógica é marcada por um ambiente de intensa disputa por afeto, por reconhecimento e por êxito. Esse funcionamento excludente gera alta carga de sofrimento psíquico, tendo a inequidade social e as dificuldades socioeconômicas importante relação com a saúde mental da população. Dessa forma, o grau interno de desigualdade econômica de um país é um condicionante direto da saúde mental de seus cidadãos, com isso, há maior possibilidade das populações mais vulneráveis.

É necessário promover-se respeito e afeição entre as pessoas na comunidade, nas famílias e nas instituições. Indo além, atuar de modo cooperativo é condição essencial para coesão social. A FIB é uma proposta política, econômica, social e psicológica. Encontra-se nela um apoio para a efetivação de valores da Reforma Psiquiátrica, tornando-se importante subsídio para pensar dispositivos de cuidado e potencializar ações comunitárias.

Uma sociedade sem manicômios, este é o lema da Reforma Psiquiátrica no Brasil, que busca mais do que a superação da lógica do hospital psiquiátrico. Esta superação é visada dentro de todas as relações que compõem a sociedade, no intuito de que nenhuma relação seja de imposição de poder de uns sobre outros. Que todas as pessoas tenham possibilidade de se relacionar de maneira mais equânime, de exercer seus direitos de cidadão e de viver uma vida digna e feliz.

Organizaremos a formação e o cuidado a partir dos domínios da FIB, por isso, discutiremos como cada item relaciona-se com o cuidado em saúde mental, a partir do caso apresentado. Os domínios da FIB são os seguintes:

1-   Bem estar psicológico;

2-   Padrões de vida e Felicidade;

3-   Boa Governança;

4-   Saúde;

5-   Educação;

6-   Vitalidade comunitária;

7-   Diversidade cultural e Resiliência;

8-   Uso do tempo;

9-   Diversidade ecológica e Resiliência.

 

Serão discutidos mais a frente, cada um dos nove domínios propostos pela FIB . A orientação é de que se prossiga nessa leitura considerando o Caso problema ilustrado abaixo, visando facilitar reflexões acerca da aplicabilidade dos domínios às situações mais próximas do cotidiano de trabalho das equipes da ESF.

 LEITURA COMPLEMENTAR
Indica-se o conhecimento do site da Felicidade Interna Bruta, para aprofundamento deste paradigma. Clique aqui para acessar o site.

Última atualização: quarta-feira, 29 março 2017, 10:34 AM