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Resposta de uma Teleconsultoria
Agora que você sabe quais os pontos a serem analisados ao responder a uma solicitação, o próximo passo é definir as estratégias de busca para definir fontes de pesquisa, embasando cientificamente a sua resposta.
Como respondemos nossas dúvidas? Muitas vezes, respondemos de forma aleatória, sem a preocupação em relação a sua evidência científica, sem adequação ao conteúdo. Quando vamos responder a uma teleconsultoria, o aspecto a ser levado em consideração é a evidência científica da resposta.
Esse aspecto é de fundamental importância para assegurar a qualidade das respostas e a elaboração de uma estratégia de busca sistematizada (Figura 2). Esse procedimento otimiza o tempo e define as principais fontes de pesquisa (BRASIL, 2013).

Figura 2 - Estratégia de busca.
Fonte: Brasil (2013).
Você deve estar se perguntando: Onde e como buscar as referências para composição da resposta? Existem várias bases que podem ser consultadas e que serão descritas a seguir.
Banco de perguntas: Telessaúde Brasil Redes
A primeira estratégia de busca deve ser orientada para consultas em Atenção Básica (AB) e Atenção Primária em Saúde (APS) e, por último, em função de artigos científicos originais. Dessa forma, a Segunda Opinião Formativa deve ser a primeira fonte a ser consultada, pois esta constitui um apanhado de respostas sistematizadas, revisadas e acreditadas por especialistas da AB e APS. Nesse caso, o Teleconsultor ganha tempo e evita retrabalho.
A principal fonte para estas consultas encontra-se no site do programa Telessaúde Brasil Redes (Figura 3), no qual se encontra o acesso para o banco de SOF (Figura 4) localizado no portal BVS-APS.

Figura 3 - Portal Telessaúde Brasil Redes.
Fonte: Autoria Própria.

Figura 4 - Banco de respostas SOF.
Fonte: Autoria Própria.
Você sabia que...
A SOF é atualizada e revisada a cada 2 anos. Isso serve para que elas estejam sempre em consonância com as mais atuais e melhores práticas.
Clique aqui para acessar o site do Telessaúde Brasil Redes
Referências básicas
As referências básicas são aquelas que foram construídas sobre fontes consolidadas e que preferencialmente estejam relacionadas à AB/APS. Nesse caso, destacam-se os Cadernos de Atenção Básica e as publicações do Departamento de Atenção Básica (DAB/MS). Além disso, devem ser levados em consideração os livros-texto e ferramentas de referências clínicas, pois apresentam informações de qualidade e de fácil acesso. Nesse contexto, as referências básicas se diferenciam das SOF por apresentar um escopo mais amplo e abrangente. Muito embora as SOF sejam respostas sistematizadas de alcance amplo, elas são menos abrangentes que as referências básicas.
Você sabia que...
O Ministério da Saúde oferece ferramentas, tais como o Dynamed e a Bestpractice, gratuitamente, para os profissionais da saúde?Para a utilização, basta clicar aqui para acessar o site e, em seguida, fornecer o número do registro profissional e a data de nascimento.
Existem também sites que podem ser utilizados para consultas, como o Prodigy (clique aqui par acessar) e o Agency for Healthcare Research and Quality - AHRQ (clique aqui para acessar), que são voltados para AB/APS.
Referências complementares
São chamadas de referências complementares (COM) aquelas que usam informações muito específicas, ou que possuem a formatação menos didática, ou de manejo difícil. As referências complementares devem ser utilizadas quando não se encontra a resposta para o problema nas estratégias anteriores para complementar as informações de teleconsultoria. Outras fontes podem ser utilizadas, mas perdendo-se o rigor científico, tais como Google e Youtube (BRASIL, 2013).
Referências alternativas
São aquelas referências a que se recorre em última instância, derivadas de fontes básicas (artigos originais) e/ou complementares compiladas, tais como sites de pesquisa (exemplos: Pubmed, EMBASE, Lilacs).
Para um número restrito de respostas, as referências básicas e complementares não são suficientes para sua confecção. Questões muito específicas, informações conflitantes na literatura ou evidências recentes são alguns dos motivos para necessidade da consulta às referências alternativas (BRASIL, 2013).
O uso das referências alternativas deve ser tarefa de um teleconsultor específico, o teleconsultor sênior, o qual deve ter como prerrogativa a experiência na busca e leitura crítica de evidências, visto que sua fonte de pesquisa será artigos originais ou revisões sistemáticas. Esse teleconsultor também deve dominar o padrão GRADE (visto na Unidade II) para classificar o grau de recomendação e a qualidade da evidência (BRASIL, 2013).
Além disso, com intenção de facilitar a busca pela resposta pretendida, sugerimos, para o teleconsultor sênior, a estruturação da questão de pesquisa utilizando a estratégia PICO. Esse acrônimo é formado pelas palavras População, Intervenção, Comparação e Outcome (desfecho). A definição desses elementos são fundamentais para facilitar e promover a busca correta da informação pretendida (BRASIL, 2013).
Para exemplificar o uso da estratégia PICO, apresentamos a seguinte pergunta: Fluoxetina é melhor que amitriptilina para tratamento de transtorno de ansiedade generalizada no idoso?
- População: pessoas idosas, acima de 65 anos.
- Intervenção: uso de fluoxetina.
- Comparação: uso de amitriptilina.
- Desfecho: melhora ou remissão dos sintomas do transtorno de ansiedade generalizada.
Uma função primordial na resposta da teleconsultoria é a orientação da evidência escolhida para resposta. Existem dois tipos principais de evidência. A primeira, e mais comum, é a Disease-Oriented Evidence (DOE). Nesse caso, as medidas de desfecho são de natureza fisiológica e/ou desfechos substitutos (ex: níveis de colesterol, glicemia, etc), os quais nem sempre estão relacionados com a melhora clínica dos pacientes, apesar de que alguns apresentam forte associação com desfechos primordiais (mortalidade, hospitalização, etc). Já a segunda, Patient-Oriented Evidence that Matters (POEM) refere-se a estudos cujos desfechos estão relacionados diretamente a melhora dos sintomas, morbidade, qualidade de vida, custos, tempo de internação e mortalidade. São aqueles desfechos que realmente importam para a prática clínica (SHAUGHNESSY; SLAWSON; BENNET, 1994).
Tempo versus precisão dos dados
O tempo disponível para a busca irá determinar a maior ou menor precisão dos dados pesquisados. Buscas mais amplas, e com tempo longo para avaliação dos conteúdos encontrados, terão uma maior fidedignidade dos resultados. Temos como exemplo as revisões sistemáticas, nas quais o ideal é a busca em artigos originais.
Nas teleconsultorias, que são perguntas com necessidades mais imediatas, as fontes devem ser confiáveis e amplamente utilizadas, como por exemplo, os Cadernos da Atenção Básica.
Clique aqui para acessar os Cadernos da Atenção Básica.