Ao elaborar a resposta a uma teleconsultoria é necessário analisar essa solicitação. O primeiro aspecto a ser observado são os pontos-chave. Esses pontos orientam os teleconsultores a organizarem e a adequarem as suas respostas. Essa adequação leva em consideração as necessidades e as características do solicitante.

Vamos tomar por exemplo o caso de Dona Nilma e a seguinte teleconsultoria:

Descrição da Solicitação: Como identificar sinais e sintomas de depressão durante a visita do Agente Comunitário de Saúde?

Profissional Solicitante: Agente Comunitário de Saúde

Clique aqui para acessar a Fonte.

Imaginemos que o teleconsultor acessou a Plataforma Nacional de Telessaúde e escolheu essa teleconsultoria para responder. Ao selecionar essa solicitação, são exibidas: a descrição da solicitação e a categoria profissional do solicitante (esses dados servem para ilustrar nosso exemplo. Em uma solicitação real são exibidos mais detalhes da solicitação).

Ao analisar essa solicitação, os teleconsultores identificam:

  • A categoria profissional do solicitante: Agente Comunitário de Saúde.
  • Enfoque da Pergunta: diagnóstico.
  • Foco Principal: usuário com suspeita de depressão.

Como podemos perceber, ao listar esses pontos, a resposta será direcionada a essas características identificadas. Dessa forma, os pontos a serem observados ao analisar as solicitações são (Figura 1): Categoria profissional; Enfoque; Foco principal; Focos secundários; e Identificação de casos pessoais/teleconsulta.

f4_01

Figura 1 - Elementos de orientação para a montagem da resposta do Teleconsultor.

Fonte: Brasil (2013).

A seguir, explicamos com mais detalhes o que significa cada ponto-chave.

Categoria profissional

O nível de formação do profissional solicitante e a sua área de atuação são dois pontos importantes. Eles identificam o nível de formação (básico, médio ou superior) e a área de atuação do profissional solicitante, como Agente Comunitário de Saúde (ACS), Técnico de Enfermagem, Enfermeiro, Médico, Odontólogo, entre outros.

Mas por que é importante ter conhecimento sobre essas informações? Para adequação da linguagem durante a construção da resposta.

Hoje há uma tendência cada vez maior dos profissionais de nível básico e médio pela busca de mais informações sobre doenças. Logo, as respostas ficarão mais compreensíveis por parte do solicitante. Mesmo assim, sempre as respostas devem conter linguagem mais simples, evitando-se a utilização de termos técnicos. Quando esses termos forem inevitáveis, serão acompanhados de explicações adequadas.

As dúvidas oriundas dos solicitantes devem ser utilizadas pela equipe de Telessaúde para orientar este profissional com o conhecimento coerente à sua classe profissional e potencializar o vínculo deste com os demais membros da equipe (BRASIL, 2013).


Enfoque

O Enfoque da teleconsultoria define em que segmento ela está situada. Nesse caso, os enfoques podem ser os seguintes:

  • estratégias de promoção à saúde e prevenção de doenças;
  • diagnósticos;
  • prognósticos e seguimento de usuários;
  • tratamento (farmacológico ou não);
  • outros enfoques:

              ° processo de trabalho em AB/APS;

              ° abordagem familiar/comunitária;

              ° aspectos psicossociais;

              ° aspectos epidemiológicos em AB/APS;

              ° competência cultural;

              ° controle social;

              ° outros.

De acordo com o tipo de enfoque da teleconsulta e da categoria do profissional, o Teleconsultor poderá determinar a melhor estratégia para apresentação da resposta (BRASIL, 2013).

Foco principal e foco secundário

O foco principal da teleconsultoria é o tema central da pergunta que guiará a resposta. Todavia, é possível discorrer sobre assuntos secundários que estejam relacionados ao foco principal da consulta. Já o foco secundário é composto por perguntas com tema, ou aspecto que surgiu a partir do foco principal, ou que é complementar a ele.

É importante lembrar que solicitações de teleconsultorias com foco pouco definido receberão respostas superficiais. Entretanto, quanto melhor definida a pergunta e o escopo, mais objetiva e clara será a resposta. Além disso, como já foi visto nos módulos anteriores, sabemos que não são permitidas perguntas distintas dentro de uma mesma teleconsultoria. Porém, muito embora a telerregulação possa fazer esse tipo de filtragem, é possível que o Teleconsultor escolha uma dentre as perguntas com foco principal distinto e solicitar que sejam feitas novas solicitações de teleconsultorias.

Mas por que então não responder tudo de uma única vez? Por uma questão prática e didática. Apesar de a teleconsultoria ter um caráter de ensino-aprendizagem, as respostas não devem ser extensas para que não tome muito tempo do profissional com sua leitura. A ideia da teleconsultoria é que seja algo rápido e objetivo para auxiliar no processo decisório e não que seja uma dissertação extensa (BRASIL, 2013).

Para as questões envolvendo caso clínico, recomenda-se que seja sugerida a solicitação de uma teleconsultoria síncrona. Nesses casos, somente profissionais de nível superior devem realizá-la, preservando a identificação do usuário.


Identificação de casos pessoais/teleconsulta

Como vimos na Unidade III, a teleconsulta é a realização de uma consulta a distância entre um trabalhador da saúde e um usuário. Esse tipo de atividade não é permitido, conforme Art. 62 do Código de Ética Médica.

Nessa perspectiva, ao identificar um possível caso pessoal ou teleconsulta, será produzida uma resposta de texto de forma geral e será indicada a realização de consulta presencial com um profissional competente. Essa resposta tem o objetivo de não se perder a oportunidade de educação permanente.

Nesse ponto, vale a mesma regra para teleconsultorias síncronas e assíncronas. Vejamos um exemplo desse tipo de prática e como atuar.

Solicitação: Gostaria que me mandassem material sobre infecções urinárias de repetição. Já consultei vários médicos e nenhum descobre nada.

Resposta: Entre as mulheres adultas, as infecções do trato urinário (ITU) são os tipos mais comuns de infecções, [...] É importante ressaltar que você precisa ter um médico e uma equipe de saúde de sua confiança que realize este acompanhamento e a investigação de forma satisfatória. [...] Sugiro que as teleconsultorias de casos clínicos sejam solicitadas por profissionais de nível superior, de forma síncrona (por vídeo).

Como podemos perceber, os pontos-chave da solicitação são essenciais para montar uma resposta clara e dentro da temática esperada pelo nosso solicitante.

 

Última atualização: quarta-feira, 29 março 2017, 10:31 AM