A assistência à saúde pressupõe uma visão integral na qual a intervenção extrapola o cuidado biológico e exige uma reflexão sobre a angústia do paciente diante da perspectiva de doença grave ou com desfechos desfavoráveis.

A comunicação de algo é um processo complexo, pois visa criar um laço de reciprocidade entre duas ou mais pessoas, cada um com uma história própria, personalidade e necessidades.

No caso da comunicação de más notícias em saúde, como a constatação de uma deficiência intrauterina devido a microcefalia ou logo após o nascimento da criança, pode gerar uma grande dificuldade na relação família e profissionais de saúde, que pode produzir duas grandes reações diante da forma como a informação for dada: quando esta for adequada, a família “nunca a esquecerá”, se inadequada, eles “nunca a perdoarão".

Diante do diagnóstico de microcefalia, seja intraútero ou após o nascimento, a equipe de saúde deve estar sensibilizada para acolher a gestante e seus familiares com suas angústias, dúvidas e medos, por meio de uma escuta qualificada, considerando aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais, sem julgamento nem preconceitos, permitindo perguntas e oferecendo respostas às suas dúvidas.

A primeira estratégia é preparar o ambiente de modo a proporcionar privacidade e disponibilidade, e, se evitar interrupções. Se a notícia for dada a mãe, a presença do pai e de um outro membro da família geralmente serve de apoio e suporte a ela.

Para abordar este problema é essencial o estabelecimento básico de três etapas: a) preparar-se para a transmissão da notícia, onde se estabelece o contato pessoal, verificando qual o grau de conhecimento da família sobre o diagnóstico e a extensão das informações que deseja receber; b) transmissão da informação propriamente dita, com linguagem clara e simples e em ritmo adequados, evitando o uso de termos técnicos; e, c) resposta empática à reação da família.

Ser empático é reconhecer as emoções e reações da família durante esta fase dolorosa e responder a elas de forma adequada. Como as reações da família podem ser diversas, desde a: negação do problema ou da busca incessante pela cura; raiva diante da adversidade posta ou de um futuro incerto; ou até, uma aceitação progressiva baseada nas relações de vínculo materno e resiliência diante de problemas.

O profissional pode minimizar a ansiedade dos familiares resumindo as informações apresentadas e finalizar formulando um plano estratégico de quais serão as intervenções necessárias a seguir.

Quando necessário, pode ser solicitado o apoio dos profissionais de saúde mental, por intermédio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) ou de outros profissionais de saúde mental do município.

Buscaglia (1997) descreve que a participação efetiva da família no processo de intervenção precoce, propicia melhora significativa nas reações familiares negativas. Pois, à medida que, espaços são abertos a participação dos familiares no tratamento, através de orientações claras e compreensíveis, os membros da mesma sentem-se agentes responsáveis pelos avanços da criança.

Considerando que muitas situações de morbimortalidade materna e neonatal acontecem na primeira semana após o parto, é imprescindível a realização de visita domiciliar à mulher, ao RN e à família pelo agente comunitário de saúde ou qualquer outro profissional da equipe, para avaliar as demandas, orientar as soluções e fortalecer o vínculo entre o serviço de saúde e a família.

Última atualização: quarta-feira, 23 novembro 2016, 5:45 PM