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A criança com diagnóstico de microcefalia precisa ser assistida por equipe multidisciplinar que terá como principal papel auxiliar a criança em seu desenvolvimento. Depende da avaliação das necessidades apresentadas por cada criança. Cabe ao profissional da atenção básica estar capacitado para realizar a coordenação do cuidado dessa criança e da sua família, bem como realizar a puericultura regularmente. Criança com PC entre 32,1 a 33 cm, deve ser acompanhada com a atenção necessária para detecção de possíveis alterações no desenvolvimento neuropsicomotor.
Todas as crianças caracterizadas como sendo de risco para atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor precisam receber um cuidado especial em relação ao seu desenvolvimento em todos os aspectos: motor, linguagem, psicossocial, dentre outros. No caso de filhos de gestantes infectados pelo vírus Zika, os recém-nascidos com 37 ou mais semanas de gestação e perímetro cefálico entre 32,1 e 33 cm também deverão ter puericultura de rotina, mas com especial atenção a seu desenvolvimento.
Contudo, crianças diagnosticadas com microcefalia entre 0 e 3 anos de idade deverão ser referenciadars para programas de estimulação precoce em serviço de reabilitação (Centro Especializado de Reabilitação, Centro de Reabilitação em Medicina Física, Centro de Reabilitação Física – nível intermediário, Serviço de Reabilitação Intelectual), ou em Ambulatório de Seguimento de Recém-Nascido de Risco. Atividades de grupos terapêuticos podem ser desenvolvidas por fisioterapeuta, fonoaudiólogo ou terapeuta ocupacional do NASF ou vinculados às equipes da atenção básica.
Compreende-se por "estimulação precoce" o conjunto dinâmico de atividades e de recursos humanos e ambientais incentivadores e que são destinados a proporcionar à criança, nos seus primeiros anos de vida, experiências significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo.
Visam desenvolver o potencial sensório-motor existente nos primeiros três anos de vida, permitindo que a criança tenha o melhor desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial. As atividades devem ser significativas para a criança, permitindo uma interação com o meio em que vive; devem ser desenvolvidas por uma equipe multiprofissional composta por educadores, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais, entre outros, além de orientação familiar. Seu objetivo é normalizar o desenvolvimento infantil, e quando não for possível, minimizar ou compensar incapacidades existentes.
Nos primeiros anos de vida ocorre o fenômeno da neuroplasticidade, onde é possível promover alterações estruturais e funcionais do sistema nervoso central (SNC), justificando a intervenção precoce.
Segundo Lent (2008) a plasticidade nervosa ocorre durante todo o desenvolvimento do indivíduo, assim como na presença de processos patológicos. Contudo, o grau de plasticidade neural varia com a idade do indivíduo, pois nos primeiros anos de vida o sistema nervoso é mais plástico, e mais susceptível a transformações. A maturação do SNC inicia-se no período embrionário e só termina na vida extrauterina, ou seja, não sofre apenas influências dos fatores genéticos ou do microambiente fetal, mas do ambiente externo que tem grande relevância para um adequado desenvolvimento, como o é o da estimulação precoce, permitindo o aprendizado de algo novo e modificando o comportamento de acordo com o que foi aprendido. Pois, durante suas atividades, ocorrem modificações nas estruturas e no funcionamento das células neurais e de suas conexões, bem como o crescimento de novas terminações sinápticas, aumento das áreas sinápticas funcionais e incremento de neurotransmissores.
Com o programa de estimulação precoce é possível que haja correção do atraso, graças à neuroplasticidade cerebral. Após a adequação às etapas do desenvolvimento previstas para a faixa etária da criança nos diferentes sistemas avaliados, esta deve ser contra referenciada para o programa de seguimento na atenção básica, com suporte da equipe NASF para eventuais mudanças.
Inicialmente o quadro pode ser variável, podendo apresentar sinais sugestivos de atraso do desenvolvimento, não realizando algumas etapas previstas para a faixa etária correspondente, com presença de um tônus muscular relativamente mais baixo (hipotonia). Muitas vezes a criança é considerada ‘preguiçosa’ e ‘apática’ pela família, o que, por vezes, mascara o problema.
Em casos com lesão no SNC é possível observar alterações da postura e movimento, e eventualmente, a hipertonia (espasticidade) pode ser observada antes dos primeiros 4 meses de vida, sugerindo um maior comprometimento do SNC.
De acordo com as diretrizes de atenção à pessoa com paralisia cerebral, as infecções virais agudas maternas durante a gestação são consideradas fatores pré-natais para desenvolvimento de paralisia cerebral. De qualquer modo, as crianças com Síndrome Congênita relacionada à infecção pelo vírus Zika devem ser encaminhadas para estimulação precoce dentro da faixa etária de 0 a 3 anos. No entanto, uma vez que tais alterações caracterizam presença de encefalopatia não progressiva da infância (paralisia cerebral), esta deve ser acompanhada por equipe multidisciplinar de modo a atender às necessidades de todos os sistemas que possam estar acometidos (sensorial, motor, perceptivo, linguagem, cognição, comportamento, visual, epilepsia e alterações músculo esqueléticas).
Os profissionais diretamente relacionados à reabilitação neuropsicomotora são fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicólogos. Entretanto, a criança precisa de acompanhamento com neuropediatra e seguimento de rotina com pediatra/ atenção básica. Caso necessário, outros profissionais devem ser contemplados no cuidado integral a esta criança, como o assistente social.