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Unidade 2: O que é exercer uma paternidade ativa e consciente?

Olá, bem-vindo à unidade 2 do curso, onde vamos começar discutindo como exercer uma paternidade ativa e consciente.
Na sequência, vamos assistir um vídeo demonstrativo do exercício dessa paternidade.
Relato de um Pai
" João Valadares não sabia nada sobre partos. Até a sua mulher, Cecília, engravidar. Nesse relato de tirar o fôlego, João narra o que viu, o que sentiu e como foi acompanhar a chegada ao mundo do filho Francisco.
Parto de homem. É sobre isso que quero falar. E é para eles que escrevo. Então vou começar do começo. Ela estava no avião, foi ao banheiro e me telefonou: "Estou grávida". Não teve tempo de falar mais nada. As portas já estavam em automático. Desligou.
Fui buscá-la no aeroporto e, no caminho para o laboratório mais perto, tentávamos entender a dimensão daquela notícia. A cabeça dura-sertão do macho pernambucano, dos miolos encaretados pelo sol, desinformado e suposto senhor das ações, travou. Ela não falou mais nada. Nem eu. Segui calado, com aquela angústia-catapora, que faz tudo coçar por dentro.
No outro dia, comecei a pesquisar sobre gestação e nascimento. Em apenas um dia, li muito. Um turbilhão gigantesco de informações. No outro dia, li mais ainda. E assim seguiu. Fui a todos os encontros e consultas. Ouvi depoimentos lindos sobre o nascimento. Escutei histórias, conheci experiências e aprendi sobre as transformações que estavam por vir. Aos poucos, fui entendendo que o nascimento de um filho também transforma profundamente quem está ao lado da mulher.
Mulher foi feita para parir. Homem não. Mas homem também foi feito para sentir. E o parto me proporcionou isso. Eu pari junto. Eu e Cecília viramos um só durante aquelas horas. É sobre isso que quero falar.
Sou um homem que sentiu o corpo da minha mulher tremer a cada contração. Sou um homem que sentiu os músculos da minha mulher esticar e relaxar numa dança perfeita. Sou um homem que emprestou seu corpo para a mulher beliscar e aliviar a dor do nascimento. Choramos muito. Ela de dor. Eu de outro tipo de dor. Parimos.
É isso. Eu não queria ser apenas um espectador, distante do meu filho, acompanhando tudo sem participar. Queria estar ali, do lado, sentindo e vendo a natureza no seu estágio mais verdadeiro. Vendo minha mulher revelar uma força que eu jamais havia testemunhado, gritando e se contorcendo para proporcionar ao nosso filho sua chegada ao mundo. Eu estava ali para acolher, apoiar, ouvir e compartilhar cada instante daquela experiência.
Desajeitado que sou, descobri que sei fazer massagem. Ah, como foi bom perceber o alívio imediato quando apertava as costas de Cecília e ela mudava de som. Fiz isso por duas horas seguidas. Na verdade, posso dizer que era uma espécie de automassagem. Quando percebi que, de alguma maneira, era parte ativa do parto da minha mulher, do nosso parto, descobri que era mais do que pai. Muito mais.
Não escrevo para encorajar mulheres. Escrevo para encorajar os homens. Se puderem, passem por isso. A experiência mais incrível de toda a minha vida.
Francisco demorou cinco horas para nascer. Acompanhei cada contração, cada respiração, cada instante de espera. O tempo parecia correr de um jeito diferente. Tudo o que importava era estar presente, ao lado de Cecília, enquanto nosso filho encontrava seu caminho para o mundo.
E ele chegou aos nossos braços. Ficamos ali por longos minutos acarinhando o nosso filhote, tentando ainda entender como uma pessoa sai de dentro de outra. E foi lindo.
Depois, ficamos por horas olhando o nosso filho, descobrindo seus traços, seus movimentos, sua respiração. O melhor de tudo foi perceber que, naquele nascimento, também nascia uma nova versão de mim. Nascia um pai.
Fonte: Depoimento adaptado de https://bebe.abril.com.br/ familia/o-parto-pelo-olhar-do- pai/."
Última atualização: segunda-feira, 26 outubro 2026, 3:25 PM