Objetivo de aprendizagem:

Apresentar diferentes formas de implementar o acolhimento no processo de trabalho.

Consolidar este modelo de atenção potencializado requer assim uma atuação profissional transformadora, com informações transparentes e vínculos efetivos entre equipe e usuários para estabelecer relações de trocas e confiança. Precisamos também superar algumas fragilidades, como o acolhimento “não acolhedor” nas unidades, a falta de qualificação profissional, a desorganização do processo de trabalho tanto na assistência quanto na organização e gerência.

As políticas de humanização e de atenção básica buscam um fazer em saúde que respeite os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da valorização da comunicação entre sujeitos e serviços; a aproximação entre atenção e gestão para que o cuidar e o gerir caminhem juntos; e o protagonismo dos sujeitos na produção da saúde.

Isso só poderá acontecer se realizarmos as mudanças que desejamos, iniciando pelo agir acolhedor. Por isso, convidamos você agora a imaginar esse processo de mudanças acontecendo em sua unidade. Vamos iniciar assistindo ao vídeo em que Túlio Batista Franco responde a algumas perguntas sobre o Acolhimento.

 

Acreditamos que agora muitas de suas dúvidas já foram esclarecidas. Seguimos então dizendo que o acolhimento em sua unidade, como prática inserida no processo de trabalho, poderá acontecer de diferentes formas, dependendo da sua realidade.

O acolhimento precisa ser pensado a partir das necessidades demandadas pela população de sua área de adscrição e de qual é a melhor forma para responder a essas necessidades. Pode ser que o caminho seja criar um grupo para promoção de saúde por meio de rodas de conversa (com uso de Terapia Comunitária, Biodanza, dentre outras alternativas). Mas também pode ser que a maior demanda seja por olhar de outra forma para o manejo das ações de puericultura, pré-natal, planejamento familiar, acompanhamento de pacientes com problemas crônicos, prevenção do câncer; mediante o acesso garantido às consultas, aos grupos e a outras ações de educação em saúde, a encaminhamentos necessários, a visitas domiciliares, a medicações.

Definição: UNIVERSALIDADE DE ACESSO DICA: Você pode saber mais sobre algumas dessas técnicas assistindo às seguintes webconferências disponíveis no portal do Núcleo Telessaúde SC: - Biodanza na saúde da comunidade - Terapia comunitária - Educação popular em saúde e terapia comunitária

Independente da forma como se operacionalize, quando a equipe se responsabiliza por dar aos diferentes um atendimento distinto e que atenda integral e resolutivamente a cada necessidade, está acolhendo e garantindo acesso aos usuários.

É urgente e indispensável que mudemos nossa forma de atender à demanda, sem mais programação de chegada de todos à unidade no mesmo horário, mas facilitando e garantindo o acesso, o acolhimento e o cuidado (amplo e integral) durante todo o período de trabalho, reorganizando e humanizando nossas agendas e o nosso agir em saúde na Atenção Básica.

Para que o acolhimento se traduza de forma concreta em mudanças e melhorias no dia a dia de trabalho, é preciso que os sentidos sejam transformados em ações. E não existe uma forma única de realizar acolhimento à demanda. A possibilidade de diferentes modelagens deve-se ajustar ao contexto da sua unidade e contar com a participação dos trabalhadores na análise, dialogada e compartilhada, e escolha pelo melhor modo de acolher.

Ainda, é importantíssimo você refletir que é necessário compreender o acolhimento e ter muito claro que a demanda espontânea é parte da demanda atendida pela sua equipe, mas que boa parte da agenda está destinada à demanda programada: consultas agendadas, visitas domiciliares, grupos, reuniões, atividades de educação em saúde, atividades administrativas.

Para o acolhimento à demanda espontânea, há algumas possibilidades:

• Pode ser desenvolvido pela equipe de referência do usuário, com a organização da equipe para que haja profissionais para realizar a primeira escuta e ofertar adequadamente os serviços que vão atender as necessidades de cada um. Nesse modelo podem-se revezar os profissionais que acolhem, de forma que a equipe consiga desenvolver todas as suas atividades. É importante que todos estejam conscientes do modelo para que o profissional que acolhe tenha a retaguarda do restante da equipe sempre que houver necessidade.

• Quando há mais de uma equipe na mesma unidade, é possível que as equipes se revezem no acolhimento, permitindo que as outras equipes desenvolvam outras atividades. Porém, é importante atentar para que a equipe de referência não perca a responsabilização e o vínculo com a população adscrita. As várias equipes em uma mesma unidade também podem se organizar de forma a cada equipe acolher a sua população no início do turno e depois, durante o restante do período de trabalho, ficar uma equipe apenas responsável por acolher a demanda e dar os encaminhamentos. Esta forma de acolher exige que as equipes se comuniquem bem e tenham uma gestão organizada das agendas.

• Há a possibilidade de realizar o acolhimento coletivo, quando a agenda deve ser organizada para que, no início do turno de trabalho toda a equipe possa participar da primeira escuta dos usuários, em um espaço onde são também apresentadas questões relacionadas à organização da unidade, processo de trabalho da(s) equipe(s) e podem ser realizadas ações de educação em saúde. Nessa modelagem é importante atentar para a possibilidade de constrangimento das pessoas, devendo ser garantida a escuta individualizada. Ainda, para a sequência dos trabalhos na unidade, deve ser associada outra forma de acolher no restante do turno de trabalho, garantindo o encaminhamento resolutivo a todos os usuários que procurarem a unidade.

Você e sua equipe devem ter sensibilidade para perceber qual a forma de acolher que melhor responde às características dos profissionais e usuários. Toda a equipe deve ser envolvida nesse processo, sem esquecer-se das demandas e necessidades em saúde bucal. Uma estratégia após o consenso da equipe sobre a modelagem mais adequada em sua unidade é orientar a população sobre a proposta e solicitar opiniões, o que pode ser feito através das visitas dos agentes comunitários de saúde.

A organização da demanda deve levar em conta o número de equipes na unidade, o número de profissionais por equipe, a população sob a área de adscrição da equipe, quem são os profissionais que participam do acolhimento da demanda espontânea, as especificidades de cada território e características da população, a estrutura física e ambiência da unidade, as principais demandas atendidas pela equipe, qual a oferta de serviços da equipe e unidade, o que leva os usuários à unidade, como se distribui a demanda ao longo do dia na unidade, entre outras questões relativas ao fluxo de usuários e a organização da equipe. Por último, é importante falar sobre o acolhimento da demanda espontânea com classificação de risco na Atenção Básica, que se refere ao espaço individualizado de escuta e avaliação, exclusivamente por profissionais de nível superior, onde os indivíduos têm seu risco estratificado para que o atendimento seja realizado pela equipe da forma mais adequada e resolutiva possível, em tempo apropriado. Os indivíduos são ouvidos e a avaliação leva em conta o problema clínico, mas também as situações de risco e vulnerabilidade envolvidos, para que o caso seja classificado como não agudo – podendo ser orientado e programado seu atendimento, ou agudo – quando deve ser classificado para atendimento imediato, prioritário ou no dia.

Ainda, listamos abaixo vários relatos com diferentes abordagens sobre o Acolhimento para você ler e encontrar caminhos possíveis para acolher em saúde:

1) Relatos publicados na Comunidade de Práticas (para acessar você deve se cadastrar no site da Comunidade de Práticas: https://novo.atencaobasica.org.br/):

a) Humaniza SUS – Melhoria do Acesso, da Qualidade e do Acolhimento na Atenção Primária à Saúde/Piranguinho MG: https://novo.atencaobasica. org.br/relato/1477

b) Dança Circular Sagrada: Acolhimento mais Humanizado no Município de Recife: https://novo.atencaobasica.org.br/relato/1872

c) Acolhimento na Atenção Básica: estratégias para (re)organização dos serviços: https://novo.atencaobasica.org.br/relato/2080

d) Projeto Acolhimento - construindo competências e acessibilidade no SUS: https://novo.atencaobasica.org.br/relato/10152

e) Experiência com Grupos de Acolhimento e Apoio Psicológico (GAAP) na Atenção Primária,no município de Florianópolis :https://novo.atencaobasica. org.br/relato/975

f) Acolhimento para o parto humanizado: o curso de gestantes “mamãe coruja” e a valorização da equipe de saúde da família em um pré-natal diferenciado:https://novo.atencaobasica.org.br/relato/1119

g) Acolhimento em Saúde Bucal na Prefeitura Municipal de Fortaleza: https://novo.atencaobasica.org.br/relato/194

2) Relatos publicados em Informativo do Telessaúde SC:

a) Relato com foco na organização da agenda para programação de consultas, pois o principal problema era o excesso de filas para atendimento (página 12): https://www.telemedicina.ufsc.br/rctm/public/modules/stt/dados/telessaude/publicacao/2499/1375786949.pdf

b) Relato que apresenta ações de equipe para se capacitar sobre plantas medicinais de forma a acolher o uso feito pela comunidade (página 10): https://www.telemedicina.ufsc.br/rctm/public/modules/stt/dados/telessaude/publicacao/1953/1367856790.pdf

Sempre haverá casos em que a equipe de AB não terá recursos suficientes para o manejo e resolução total do problema, podendo e devendo contar com os demais níveis de atenção para isso. Há muitos momentos em que o encaminhamento é necessário e o serviço não está disponível, dificultando uma atenção em saúde de qualidade. Há dificuldades para implementar a territorialização, identificar demandas para trabalhar com grupos, organizar agendas, criar protocolos, enfim, várias questões das quais o acolhimento é dependente e que não daremos conta de abordar nesse curso.

Reconhecemos estas fragilidades e que há muitas limitações ainda no SUS, especialmente no nível especializado e destacamos que o Núcleo Telessaúde SC é seu parceiro para qualificá-lo e capacitá-lo para resolução de demandas clínicas, de processo de trabalho ou de gestão e coordenação. Utilize o serviço de teleconsultorias e tele-educação do Telessaúde sempre e terá esse apoio a distância para fortalecer sua prática profissional.

Somos seus parceiros e nossos serviços são alternativas para pensar o contexto individual de sua equipe com nossos teleconsultores e encontrar caminhos.

Última atualização: segunda-feira, 8 agosto 2016, 4:18 PM