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Apresentação
1. Modelo de Atenção Ampliado e Humanização na Saúde
Objetivo de aprendizagem:
Apresentar o modelo de atenção ampliado em saúde e sua relação com o acolhimento e a humanização.
1.1. A Política Nacional de Humanização
As ações em saúde derivam de uma concepção saúde-doença, o que quer dizer que a forma como pensamos determina a forma como atuamos no trabalho (MAEYAMA, CUTOLO, 2010).
Ao longo da história, a visão de saúde e doença sofreu muitas mudanças, influenciadas pelo contexto histórico, cultural, econômico e social de cada época. Maeyama e Cutolo (2010) apresentam um resgate histórico sobre as mudanças na forma de se compreender saúde e doença: Iniciamos nos séculos XVII e XVIII, com a Teoria Miasmática, a qual apontava que as doenças eram transmitidas pela contaminação do ar, da água e dos dejetos humanos; nessa época, entendia-se que as más condições do ambiente, determinavam a ocorrência de doenças, e as intervenções tinham caráter higienista/preventivista, atuando nestes condicionantes para proteger a saúde. Posteriormente, no século XVIII, surge a Medicina Social de Virchow que apontava as más condições de trabalho, renda e moradia, ou seja, as condições de vida a que as pessoas estavam submetidas, como causas das doenças. Nesta fase, mesmo com o desconhecimento da existência de microrganismos causadores de doenças, essas teorias deram conta, parcialmente, de resolver os problemas de saúde.
No final do século XIX, com a Teoria do Germe de Pasteur, todas as outras teorias anteriores são desconsideradas e a causa biológica passa a ser única, gerando o movimento de que a saúde pode apenas ser recuperada com a eliminação deste agente biológico causador. É importante destacarmos que este modelo unicausal - biomédico, apesar de ter-se tornado hegemônico nos serviços ao longo do século XX, não deu conta de melhorar os indicadores sanitários e as condições de vida das pessoas, porém favoreceu o intenso desenvolvimento e a valorização do complexo médico-hospitalar.
Com o passar do tempo vem a necessidade de repensar o modelo de atenção. No Brasil,inicia-se na década de1970 o Movimento pela Reforma Sanitária,que objetivava uma saúde universal e integral. O auge da Reforma Sanitária Brasileira ocorre em 1986, com a VIII Conferência Nacional de Saúde, cujo texto final serve de base para a criação do Sistema Único de Saúde em 1988, que dentre outros encaminhamentos determina a reorganização do modelo de atenção a partir da abordagem integral 7 do processo saúde-doença, que aqui chamaremos de integralidade. A visão do processo saúde-doença na ótica de integralidade, considera os contextos social, ambiental, psíquico e biológico, necessitando, portanto, de ações, de promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde.
Definição:
A integralidade apresentada aqui é entendida ainda como a confluência (união) de saberes de várias categorias profissionais em busca da construção de uma atenção que permita identificar, apropriar e compreender as necessidades de saúde da população para prestar de um atendimento humanizado e qualificado, a partir do enfrentamento de desafios cotidianos como a criação de vínculos afetivos e autonomia, frutos de uma relação de confiança entre os atores envolvidos (gestão, trabalhadores e usuários). Uma integralidade focalizada, resultado da soma de esforços para uma resposta positiva à necessidade apresentada. Não é possível um cuidado integral sem o acesso universal e equânime e sem a sensibilidade de olhar cada sujeito ou coletivo de forma única.A integralidade demanda o conhecimento das necessidades e demandas individuais e coletivas, o que extrapola a abrangência do setor saúde. Assim, a integralidade precisa ser pensada também na construção de uma rede de serviços que possa dar conta do cuidado necessário, tendo na Atenção Básica a coordenadora e orientadora do cuidado, mas com apoio dos diferentes níveis de atenção, de forma articulada e integrada, fazendo referência e contra-referência (CECÍLIO, 200?) Disponível em:http://www.uff.br/pgs2/textos/Integralidade_e_Equidade_na_Atencao_a_saide_-_Prof_Dr_Luiz_Cecilio.pdf.
Para que as práticas de saúde mudem e se consiga um trabalho sem fragmentação, precisamos abordar a forma como as práticas são produzidas. O acesso com equidade deve ser uma preocupação constante. A equidade, como um princípio de justiça, baseia-se na premissa de que é preciso tratar diferentemente os desiguais (diferenciação positiva) ou cada um de acordo com a sua necessidade, corrigindo diferenciações injustas e negativas e evitando iatrogenias (danos decorrentes de tratamento) devido a não observação das diferentes necessidades (BRASIL, 2012. p. 32). Já o acesso compreende a facilitação da entrada da pessoa na rede de cuidado do SUS, estando próximo à população para acolher, escutar e atender às suas necessidades de saúde com qualidade e resolutividade.


Convidamos você agora para assistir o vídeo “Humanização para o Acolhimento em Saúde”, com o consultor da PNH – Carlos Garcia Junior, em que a PNH é apresentada a você e são abordados conceitos importantes para a sua compreensão da humanização na saúde. Ainda, você vai compreender melhor a importância do trabalho humanizado e acolhedor e vai se sentir estimulado a melhorar o ambiente de trabalho na sua unidade, tornando-a um espaço mais convidativo para a comunidade, entendendo como a ambiência e a acessibilidade podem qualificar o acolhimento aos usuários.
O acolhimento como uma das diretrizes da PNH precisa ser compreendido em suas dimensões ética (do cuidado para ouvir e atender às diferenças), política (compromisso com o usuário que envolve articulação institucional em redes) e estética (para valorização inventiva do cuidado, de forma inovadora, com intervenções interdisciplinares para escolha de um modo de fazer saúde que se dá alinhada a cada realidade, por usuários, profissionais e gestão). Pensar humanização e acolhimento é pensar além do que é visível, está muito mais na sensibilidade presente nas relações, no compartilhamento e na construção conjunta do cuidado.
PARTE 1: Apresentação da Política Nacional de Humanização
PARTE 2: Acolhimento como Diretriz da PNH
É essa mudança que estamos buscando em você. Importante, portanto, é destacar alguns aspectos apresentados pela PNH:

Link: http://migre.me/j4h0Y.