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Unidade 3

Na primeira parte deste estudo você compreendeu toda a complexidade envolvida na definição do conceito de território-processo que norteará a análise da situação de saúde da comunidade da sua área de abrangência. Desta forma, para se ter acesso às informações mais fidedignas possíveis, é necessário que você realize, em equipe, o processo de reconhecimento do território, denominado territorialização. No processo de territorialização, as informações do território a serem estudadas representam uma parte estratégica para organização do processo de trabalho da equipe de saúde e o planejamento das ações em saúde.
Então, quando se está vivendo ou trabalhando num lugar, é necessário saber onde se encontra o supermercado, a farmácia, os restaurantes, o centro comercial, o cartório, os bares, observar o fluxo da população através das ruas, os transportes utilizados e as barreiras geográficas que dificultam o acesso da população à unidade e na circulação no bairro.
É importante, também, reconhecer as características das moradias e seus entornos como: condições das ruas (terra, pedra, asfalto), calçadas, praças, espaços de lazer (por exemplo, parques municipais), paisagismo, presença de esgotos a céu aberto e lixo; qual a frequência da coleta do lixo e se há coleta seletiva. Bem como as condições do meio ambiente: desmatamento ou poluição, áreas de preservação permanente e a presença de animais no entorno das residências e nas ruas, principais patologias e pacientes que merecem atenção especial.
Além disso, conhecer Dados Demográficos da População (população por sexo e faixa etária), consultando os dados do IBGE e principalmente do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), relatórios SSA2 (consolidação das Fichas A, Fichas B, Fichas C e Ficha D das ACS) como fontes possíveis; os aspectos culturais do bairro como comportamentos machistas ou feministas ou racistas; áreas de interesses sociais de consumo e venda de droga; influências culturais tipo: descendência alemã, italiana, açoriana, polonesa, comunidades de pescadores artesanais, alternativos, tropeiros, artesãos, bordadeiras, etc.
Faz parte desta observação conhecer os aspectos econômicos como atividade pesqueira, agrícola, agropecuária, madeireira, industrial, comercial ou turística; os principais equipamentos sociais: escolas, creches, centros comunitários, clubes, igrejas, posto policial, hospital, associações de bairro e outros serviços que a população utiliza para desenvolver a sua vida no território.
Para finalizar, destacamos a importância de saber quais os meios de comunicação entre as pessoas na sua área de abrangência. Há lugares que há internet, telefone, correio, rádio, TV, jornal de bairro. Entretanto, já em outros há apenas o rádio e a comunicação entre as pessoas (boca-a-boca).
Segundo Figueredo et al. (2011) coletar informações da história desta Comunidade com a equipe e os moradores para entender de onde vieram estas pessoas, como surgiu esta comunidade, atividades econômicas, aspectos culturais (inclusive religiosos), é um ponto importante para o processo de territorialização. Portanto, é recomendado identificar pessoas de referência na comunidade, pois, elas podem ser parceiras em atividades de saúde.
Exemplo da História de uma comunidade:
Exemplo 1:
O turista é um fator complicador?
Para algumas equipes pode ser, para outras não, visto que numa determinada época do ano (férias, de verão no litoral e de inverno na serra) há uma quantidade muito grande de pessoas que permanecem por um tempo curto (uma semana, um mês) na comunidade e a demanda espontânea aumenta significativamente. Uma equipe cuida de 4.000 pessoas, e de repente aumenta para 10.000 por exemplo.
Exemplo 2:
A pavimentação asfáltica é um fator que melhora a qualidade de vida?
Para umas comunidades sim, para outras não. Algumas vezes, em áreas de preservação, a população opta por deixar a estrada de terra, como componente cultural, que faz parte da característica do lugar.
Ex: Na comunidade da Lagoa do Peri, em Florianópolis, o asfalto é visto como agente causador de invasão de pessoas e consequentemente desmatamento.
O diagnóstico situacional (ou comunitário) é também a etapa inicial e fundamental do Planejamento Estratégico em Saúde (PES). Portanto, recomendamos que você assista com atenção à webconferência do prof. Leonardo Oliveira disponibilizada a seguir, permitindo, que ajudará você a reconhecer seu território e construir um mapa inteligente.
Como você poderá perceber na webconferência, a prática da territorialização poderá ser realizada a pé ou de carro. A atividade pode ser feita coletivamente com um dia pré-agendado com a participação de toda equipe ou, quando isso não for possível, pode ser realizada por cada profissional, individualmente.
Para finalizar nosso reconhecimento do território é importante que os membros da equipe conheçam a história da implantação da Unidade Básica de Saúde para analisar posturas e comportamentos atuais.

Objetivo de Aprendizagem: Conhecer as ferramentas de apropriação de território.