As crianças com Síndrome Congênita relacionada à infecção pelo vírus Zika que desenvolverem lesões neurológicas deverão se comportar como crianças com paralisia cerebral, podendo ser classificadas como espásticas, discinéticas ou atáxicas. A espasticidade é a mais prevalente das formas clínicas e apresenta uma distribuição corporal frequentemente assimétrica, podendo ser unilateral ou bilateral, assim como mais predominantes em membros superiores ou inferiores.

Crianças com maior comprometimento de membros superiores, tronco e cabeça apresentam mais disfunções com maior dependência para execução de suas atividades de vida diária e locomoção.

Não é conhecido ainda qual quadro motor é mais prevalente nos casos de Síndrome Congênita relacionada à infecção pelo vírus Zika, sendo necessário o acompanhamento evolutivo das crianças acometidas.

O atendimento a esta população pode ser realizado no CER, instituições especializadas ou em ambulatórios, sendo imprescindível o cuidado multidisciplinar (fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogos, médico ortopedista, neurologista e pediatra, assistente social para apoio às famílias em reação aos diretos destas crianças, de acordo com a Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS.

As avaliações ortopédicas devem ser semestrais a fim de prevenir deformidades osteomusculares, que podem limitar a funcionalidade da criança. Deve ser incentivado o uso de mobiliários adaptados como cadeiras de rodas, estabilizadores ortostáticos e órteses, favorecendo o alinhamento corporal. O uso de toxina botulínica é uma prática clínica promissora no controle da espasticidade e consequentemente melhora da função motora da criança.

Alterações posturais mais acentuadas podem provocar alterações no padrão respiratório, sono e qualidade de alimentação das crianças com comprometimentos bilaterais.

ATENÇÃO!!

Não é conhecido o comportamento intelectual de crianças com Síndrome Congênita relacionada à infecção pelo vírus Zika. Baseado em outras doenças congênitas que podem afetar o sistema nervoso central (sífilis, toxoplasmose, rubéola, HIV) é possível que os sistemas sejam comprometidos de maneira diferente. Um déficit cognitivo da criança poderá ser identificado apenas na fase escolar.

Quando diagnosticada alterações de aprendizagem deve haver seguimento junto à educação especial pelas secretarias de educação com utilização de sala multifuncional, professor auxiliar, psicólogo e psicopedagogo.

Última atualização: quarta-feira, 23 novembro 2016, 4:32 PM