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Unidade 2 – Quadro clínico e Abordagem a pessoas infectadas com vírus Zika
O diagnóstico da doença ocasionada pelo vírus Zika é feito através de testes laboratoriais que permitam diferenciar entre chikungunya e zika, já que as manifestações clínicas produzidas são parecidas. Em vários estudos têm sido descritas manifestações neurológicas como meningoencefalite e síndrome de Guillain-Barré em epidemias de chikungunya.
Adicionalmente, o diagnóstico diferencial de chikungunya é feito com outras doenças febris agudas associadas à artralgia, principalmente, a dengue e mayaro.
O algoritmo para detecção molecular/antigênica e sorológica para vírus dengue, chikungunya e zika, em laboratório de segurança tipo 2, é mostrado a seguir:

Segundo a figura acima, a detecção do ácido nucléico viral é realizada através da técnica da reação em cadeia da polimerase, precedida (ou “via”) transcrição reversa (RT-PCR), em amostras de sangue, soro, plasma ou tecidos fixados em formalina-parafina, colhidas nos primeiros cinco dias de início dos sintomas. Inicialmente são usados oligonucleotídeos que permitam descartar dengue/ chikungunya, no caso de resultar negativo para ambos, são testados os oligonucleotídeos que permitam identificar o vírus Zika. Vários autores têm proposto teste de RT-PCR duplex em um passo, tradicional e em tempo real, para avaliação simultânea de dengue e chikungunya em amostras de pacientes. Por outro lado, Faye et al (2008), propuseram os oligonucleotídeos e as temperaturas de termociclagem recomendáveis para identificar o vírus Zika.
A sorologia para detecção de anticorpos IgM contra o vírus Zika, usando os testes de ELISA e de Imunofluorescência, deve ser realizada a partir do 5º dia após o início dos sintomas. Recomenda-se usar soros pareados para detecção de soroconversão (incremento até quatro vezes do título de anticorpos). Considerando que pode ter pacientes com história previa de infecção por outros flavivírus e que pode haver reação cruzada nos testes, é recomendado utilizar antígenos dos flavivírus que circulam na região, entre eles: dengue (mistura dos sorotipos 1-4), febre amarela, encefalite japonesa, encefalite Murray Valley, vírus do oeste do Nilo e St Louis.
O teste de Redução por Neutralização de Placas (PRNT) oferece maior especificidade para detecção de anticorpos neutralizantes IgG. Porém, em pacientes com história prévia de infecção por outros flavivírus, frente à infecção pelo vírus Zika, apresentam incremento de até quatro vezes nos títulos de anticorpos neutralizantes.