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Há relatos de transmissão vertical do vírus da dengue, por via transplacentária, podendo levar a prematuridade, baixo peso ao nascer e plaquetopenia acentuada na maioria dos RNs infectados. Durante epidemia na Índia, observou-se aumento de más-formações de tubo neural em RNs cujas mães apresentaram dengue no 1º trimestre de gravidez e doença grave no RN quando a dengue materna ocorreu próximo ao termo ou ao parto e não houve tempo para produção materna de anticorpos protetores. Diante da suspeita de dengue na gravidez, orienta-se não apressar o parto e se parto for iminente, acompanhar cuidadosamente o RN até a segunda semana de vida.
Em 2006, nas Ilhas Réunion (França) foram estudadas 739 gestantes com antecedentes de Chikungunya. Dezenove RNs entre 39 gestantes virêmicas foram infectados. A prevalência de transmissão vertical foi 0,25% (19/739) e superior a 50% durante o período de viremia materna. Houve baixa frequência de lesões histopatológicas na placenta, podendo significar menor risco de transmissão durante a gestação e maior risco durante o trabalho de parto, através de microtransfusões transplacentárias. A taxa de transmissão durante o parto foi 48,7%. Todos os recém-nascidos (RNs) infectados eram assintomáticos ao nascimento e evoluíram entre o terceiro e o sétimo dia de vida com sintomas gerais, alterações cutâneas e reumáticas. Ocorreu doença grave em 10 RNs, sendo nove com encefalopatia. A cesárea não teve efeito protetor e a carga viral na placenta foi significativamente maior nos RNs infectados. Desde que não haja sofrimento fetal, deve-se avaliar o adiamento do parto até que cesse a viremia materna; e após o parto, manter o RN hospitalizado por uma semana, com acompanhamento clínico e laboratorial diariamente e tratamento intensivo de acordo com a evolução.
A transmissão vertical do vírus Zika foi relatada durante surto na Polinésia Francesa, no qual se estimou 28.000 pessoas infectadas entre 2013 e 2014. Duas mães e seus RNs tiveram confirmação da infecção pelo vírus Zika por RT-PCR em soro coletado dentro de quatro dias após o parto, sugerindo infecção por via transplacentária. Amostras de leite materno de ambas as mães foram avaliadas por RT-PCR com resultados positivos para o vírus Zika, entretanto sem partículas replicativas.
No Brasil, em 2015, houve um aumento importante na prevalência de microcefalia ao nascer, com evidências que apoiam o reconhecimento da relação entre a ocorrência desses casos e o vírus Zika. Dados sobre o impacto da transmissão vertical do vírus Zika ainda são limitados e estão sendo investigados e conhecidos a partir dos casos brasileiros de infecção congênita por esse vírus. O Ministério da Saúde do Brasil tem elaborado orientações específicas para assistência às gestantes e aos RNs com microcefalia, além de ações de vigilância epidemiológica.